CAMPINA DA LAGOA CRESCEU. E O NOSSO SISTEMA ELÉTRICO CRESCEU JUNTO?
- 02/09/2026
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As constantes quedas e oscilações de energia elétrica em Campina da Lagoa já deixaram de ser apenas um incômodo.
Elas afetam residências, comércio, propriedades rurais, empresas, cooperativas, escolas, unidades de saúde, sistemas de abastecimento e praticamente todas as atividades de uma cidade moderna.
Por isso, talvez tenha chegado a hora de fazermos uma pergunta diferente.
Em vez de perguntar somente por que faltou energia novamente, precisamos perguntar:
A estrutura elétrica que abastece Campina da Lagoa ainda é suficiente para a Campina da Lagoa de hoje?
Essa é uma pergunta técnica. E merece uma resposta técnica.
A cidade mudou
Campina da Lagoa cresceu.
Novas casas foram construídas. Novos loteamentos surgiram. Empresas ampliaram suas atividades. O agronegócio se modernizou. Cooperativas cresceram. Estabelecimentos comerciais aumentaram sua estrutura.
Também temos escolas, postos de saúde, prédios públicos, equipamentos de refrigeração, câmaras frias, bombas, motores, computadores, servidores, sistemas eletrônicos e uma infinidade de aparelhos que décadas atrás simplesmente não existiam ou eram utilizados em quantidade muito menor.
Dentro das nossas próprias casas aconteceu uma revolução.
Geladeira, freezer, micro-ondas, forno elétrico, chuveiro, televisão, computador, roteador, máquina de lavar, secadora e, principalmente nos períodos de calor, aparelhos de ar-condicionado.
É verdade que muitos equipamentos modernos são mais eficientes e gastam menos energia que modelos antigos.
Mas existe uma diferença importante entre eficiência de um aparelho e demanda total de uma cidade.
Podemos ter aparelhos individualmente mais econômicos e, ao mesmo tempo, milhares de equipamentos a mais funcionando.
E é aí que entra uma questão que precisa ser explicada de maneira simples.
Energia não é apenas geração
Quando apertamos o interruptor, existe todo um sistema por trás daquela lâmpada.
A energia precisa ser gerada, transmitida por grandes linhas, chegar às subestações, ter sua tensão transformada e depois ser distribuída através das redes até chegar às propriedades, empresas e residências.
Portanto, o fato de existir energia disponível no sistema brasileiro não significa automaticamente que determinada cidade tenha uma rede local com capacidade ilimitada.
É como o sistema de água.
Podemos ter muita água no reservatório, mas, se a tubulação que leva essa água até determinado bairro for pequena para a quantidade de consumidores, teremos problemas.
Com energia elétrica existe raciocínio semelhante.
Subestações, transformadores, alimentadores, cabos, equipamentos de proteção e redes possuem limites operacionais.
Por isso, o sistema precisa crescer junto com a demanda.
E aqui está a pergunta que Campina da Lagoa precisa fazer
Antes de discutir se a estrutura elétrica que atende Campina da Lagoa é suficiente ou não, precisamos conhecer os dados.
Qual é a tensão de operação da estrutura de fornecimento de energia que atende Campina da Lagoa?
Qual é a capacidade instalada desse sistema?
Qual é a demanda máxima registrada atualmente e quanto dessa capacidade já está sendo utilizada nos horários de maior consumo?
Qual era a demanda máxima registrada dez ou vinte anos atrás e como ela evoluiu desde então?
Existe margem suficiente para acompanhar o crescimento da cidade nos próximos anos?
Qual é a projeção de crescimento da demanda para os próximos cinco, dez e quinze anos?
Os transformadores e alimentadores existentes possuem margem suficiente para atender novas empresas, cooperativas, loteamentos e o crescimento do consumo residencial?
Quantas interrupções e oscilações foram registradas nos últimos anos e quais foram suas causas?
Essas respostas são importantes porque a capacidade de um sistema elétrico não depende simplesmente de sua idade.
Uma estrutura mais antiga pode funcionar adequadamente se tiver recebido modernizações, equipamentos novos e ampliações suficientes.
Da mesma forma, uma eventual ampliação ou construção de uma nova subestação não resolveria, sozinha, todos os problemas se a deficiência estivesse nos alimentadores, transformadores, redes rurais, vegetação, sistemas de proteção ou em outro ponto do sistema.
Por isso, precisamos evitar conclusões precipitadas.
O que precisamos são de dados que mostrem como está, de fato, o sistema elétrico que atende Campina da Lagoa.
Como está, estruturalmente, o sistema elétrico que atende Campina da Lagoa e qual é a margem disponível para o crescimento do município?
É disso que precisamos falar.
Nem toda queda significa falta de capacidade
Também precisamos ser justos tecnicamente.
Quedas de energia podem acontecer por vários motivos.
Temporais, raios, árvores sobre a rede, acidentes com postes, defeitos em equipamentos, problemas em isoladores, manutenção, atuação de sistemas de proteção e ocorrências nas linhas que abastecem a região podem provocar interrupções.
Portanto, seria irresponsável afirmar, sem um estudo técnico, que todas as quedas registradas em Campina da Lagoa são provocadas pela capacidade da estrutura elétrica.
Mas também seria errado ignorar outra possibilidade:
uma cidade cresce e sua infraestrutura elétrica precisa crescer junto.
É exatamente para descobrir isso que os números precisam aparecer.
Oscilação também é problema
Outro ponto importante é que qualidade de energia não significa simplesmente ter ou não ter eletricidade.
A Agência Nacional de Energia Elétrica estabelece padrões de qualidade, inclusive para os níveis de tensão.
Ou seja: não basta a lâmpada estar acesa.
A energia entregue precisa permanecer dentro dos parâmetros técnicos estabelecidos.
Quando consumidores relatam repetidamente lâmpadas piscando, equipamentos reiniciando, motores sofrendo alterações e aparelhos desligando, existe uma situação que merece ser medida e tecnicamente investigada.
Não no "achismo".
Com equipamentos de medição.
O problema já chegou ao debate público
Campina da Lagoa já realizou, no ano de 2025, uma audiência pública para discutir justamente oscilações e quedas no fornecimento de energia.
Portanto, não estamos tratando de uma reclamação isolada de um ou outro consumidor.
Estamos diante de uma preocupação que já chegou oficialmente ao debate público.
Agora precisamos avançar uma etapa.
Precisamos dos números.
Não basta dizer que houve uma árvore, um temporal ou um defeito em determinado dia.
Queremos saber como está estruturalmente o sistema elétrico que atende Campina da Lagoa.
Porque energia também é desenvolvimento
Imagine uma empresa querendo instalar uma unidade industrial no município.
Uma cooperativa querendo ampliar sua estrutura.
Um produtor querendo instalar secadores, motores ou novos equipamentos.
Um supermercado ampliando suas câmaras frigoríficas.
Uma escola instalando aparelhos de ar-condicionado.
Uma unidade de saúde aumentando seus equipamentos.
Ou centenas de novas casas sendo construídas.
Tudo isso significa desenvolvimento.
Mas desenvolvimento também significa demanda por energia.
Uma cidade não pode planejar apenas ruas, asfalto, loteamentos, escolas e empresas.
Precisa planejar também água, saneamento, internet e energia elétrica.
A cobrança precisa ser séria
Não se trata de atacar a Copel.
Muito menos transformar um assunto técnico em discussão política.
Trata-se de cobrar planejamento.
A Copel vem realizando investimentos em modernização e ampliação da rede de distribuição no Paraná, incluindo novas subestações e obras voltadas ao aumento da capacidade e à melhoria da confiabilidade do fornecimento.
Então a pergunta é absolutamente legítima:
Qual é o planejamento para Campina da Lagoa?
Queremos conhecer a capacidade atual da estrutura que atende o município.
Queremos saber o pico de demanda.
Queremos saber a margem disponível.
Queremos conhecer os investimentos realizados nos últimos anos.
E, principalmente, queremos saber quais investimentos estão previstos para os próximos anos.
Porque talvez o problema não esteja apenas nas quedas de energia que vêm ocorrendo com frequência.
Talvez precisemos começar a discutir a energia que Campina da Lagoa vai precisar amanhã.
A cidade mudou.
A agricultura mudou.
As empresas mudaram.
As nossas casas mudaram.
A tecnologia mudou.
O consumo mudou.
Portanto, existe uma pergunta que precisa ser respondida com números, planejamento e transparência:
O sistema elétrico de Campina da Lagoa acompanhou essa transformação?
Se acompanhou, que a Copel apresente os dados e explique tecnicamente as causas das constantes ocorrências.
Se não acompanhou, é hora de planejar os investimentos necessários.
Porque energia elétrica deixou há muito tempo de significar apenas acender uma lâmpada.
Energia é saúde. É produção. É comércio. É emprego. É segurança. É qualidade de vida. E, acima de tudo, energia é condição básica para uma cidade continuar crescendo.
Imagem: Ruderson Ricardo.




